Quem nunca ouviu um familiar mais velho dizer que “a vista já não é mais a mesma?” Muitas vezes, essa frase esconde um problema mais específico do que apenas o avanço da idade: a catarata.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a catarata está entre as principais causas de perda de visão no mundo. A boa notícia é que existe uma solução eficaz para lidar com essa condição: a cirurgia de catarata.
Mas, afinal, por que a catarata representa um risco tão significativo para a visão? A resposta está em uma estrutura pequena, porém indispensável: o cristalino. Localizado atrás da íris (a parte colorida do olho), ele funciona como uma lente natural, responsável por concentrar a luz na retina e formar as imagens que o cérebro reconhece. Quando essa função é comprometida, a capacidade de enxergar com nitidez é diretamente afetada, o que explica por que a condição pode evoluir para perda severa de visão se não for tratada.
Aos poucos, a visão vai ganhando um aspecto turvo, como enxergar através de um vidro embaçado ou de uma neblina que não vai embora.
Essa alteração costuma surgir com mais frequência em pessoas acima de 60 anos e, quando não é acompanhada, tende a evoluir de forma progressiva. Na maioria dos casos, o processo está associado ao envelhecimento natural do olho, mas fatores como traumas oculares, uso prolongado de certos medicamentos e diabetes podem antecipar seu aparecimento.
No dia a dia, os efeitos aparecem em tarefas corriqueiras que exigem cada vez mais esforço: dificuldade para ler uma mensagem no celular, dirigir à noite, assistir à televisão ou até reconhecer o rosto de alguém do outro lado da rua, o que pode comprometer a autonomia da pessoa e trazer reflexos emocionais além dos físicos.
O diagnóstico precoce ajuda a identificar a doença antes
Imagine dirigir em uma estrada com o para-brisa cada vez mais embaçado, sem perceber que o problema está no vidro, e não na estrada. É mais ou menos assim que a catarata costuma se instalar: devagar, até se tornar difícil de ignorar.
Manter uma rotina de consultas com o oftalmologista, principalmente a partir dos 40 anos, ajuda a identificar o início dessas mudanças e permite que o médico avalie o momento mais adequado para o tratamento.
O acompanhamento frequente também favorece a prevenção de quedas, acidentes e outras situações ligadas à perda de visão.
Os principais sintomas da catarata
Prestar atenção aos sinais da doença ajuda a identificar o início do quadro antes que afete a sua qualidade de vida. Entre os mais comuns, estão:
- Visão turva ou embaçada, como se um véu estivesse à frente dos olhos;
- Sensibilidade à luz, principalmente à luz do sol ou aos faróis de carros durante a noite;
- Dificuldade para enxergar em ambientes escuros ou com pouca iluminação;
- Cores mais opacas ou com tom amarelado;
- Visão dupla em um dos olhos, mesmo mantendo o outro fechado.
Tratamentos disponíveis para a catarata
Se o cristalino perdeu a transparência, não existe colírio ou óculos que devolva o brilho da lente natural. É aí que entra a cirurgia de catarata, que consiste em substituir o cristalino opaco por uma lente intraocular artificial. Existem diferentes técnicas cirúrgicas, cada uma adaptada à realidade de cada paciente.
Cirurgia de facoemulsificação
É o procedimento mais utilizado atualmente para tratar a doença. Nessa técnica, o cristalino opaco é fragmentado em pequenas partes por meio de ultrassom e, em seguida, aspirado do olho. Depois, uma lente intraocular é posicionada no lugar da estrutura removida.
Cirurgia a laser femtosegundo
Nessa técnica, o laser é utilizado para realizar incisões e fragmentar o cristalino opaco em partes menores, o que facilita sua remoção. Após a retirada da catarata, o oftalmologista posiciona uma lente intraocular transparente no lugar do cristalino.
Antes do procedimento, o olho passa por um mapeamento com tecnologia 3D, que gera uma imagem detalhada de suas estruturas. Com base nesse mapa, o médico planeja o caso de forma personalizada. No laser, as aberturas seguem o formato e o tamanho definidos nesse planejamento.
Lentes intraoculares
Depois que a catarata é removida, é preciso colocar algo no lugar do cristalino, e é aí que entram as lentes intraoculares. Elas têm grau próprio e podem colaborar com a correção de outras alterações refracionais, como astigmatismo, miopia mais acentuada e hipermetropia.
A escolha considera primeiro o grau que o paciente já possui e, em seguida, o tipo de lente mais indicado para a rotina de cada um. Entre as opções avaliadas estão as lentes trifocais, as lentes de foco estendido e as lentes monofocais. A definição costuma acontecer depois da bateria de exames pré-operatórios, junto com o oftalmologista.
Etapas do pré-operatório
Antes de qualquer decisão sobre a cirurgia de catarata, o olho passa por uma espécie de “checkup” completo. Durante essa fase de análise, são realizados exames oftalmológicos para verificar as condições da córnea e da retina. Exames clínicos também fazem parte do processo para observar a saúde geral do paciente e apoiar a decisão sobre o momento adequado para o procedimento.
A avaliação pré-operatória também verifica sinais de inflamação na pálpebra.
Na superfície ocular, o oftalmologista observa a lubrificação, a curvatura, a espessura e a qualidade das células internas da córnea. Essas informações orientam tanto os cuidados no pré quanto no pós-operatório.
Particularidades do pós-operatório
Quando os dois olhos precisam de tratamento, a cirurgia de catarata nunca acontece em ambos ao mesmo tempo. O procedimento costuma ser feito primeiro em um olho; depois de um período de recuperação, o segundo olho é operado.
No período inicial após a cirurgia de catarata, alguns cuidados fazem diferença na recuperação. Para reduzir o risco de infecção, é necessário evitar aglomerações, o manuseio de materiais sujos e o contato direto com animais. Além disso, é recomendado evitar esforços físicos, como carregar peso e praticar atividades físicas, e da mesma forma, evitar dirigir.
Novas avaliações podem ser feitas para observar a fibrose da cápsula, membrana que envolve a lente intraocular, além de acompanhar as condições da retina.
Cuidar da visão é um processo contínuo e merece acompanhamento especializado
Conhecer os sinais da catarata é importante para identificar o momento certo de procurar um oftalmologista. A consulta é essencial para avaliar a saúde dos olhos e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.
Com uma equipe de profissionais experientes e tecnologia de ponta, o H.Olhos realiza diagnósticos e tratamentos individualizados, acompanhando o paciente em todas as etapas do cuidado, desde o diagnóstico até o pós-operatório.